Golfinho ou Boto-Cinza? Entenda a diferença e descubra por que Cananéia é um dos melhores lugares do Brasil para observá-los
- Bruno Begliomini
- há 2 dias
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Quem visita Cananéia pela primeira vez quase sempre faz a mesma pergunta durante os passeios de barco: "Aquilo é um golfinho ou um boto?"
A resposta costuma surpreender muita gente. Os animais avistados nas águas do Lagamar são os famosos botos-cinza (Sotalia guianensis), mas, biologicamente, eles também são considerados golfinhos. Na verdade, o boto-cinza pertence à família dos golfinhos marinhos, sendo uma das menores espécies de cetáceos encontradas na costa brasileira.
Afinal, qual é a diferença entre boto e golfinho?
A confusão acontece porque, no Brasil, a palavra "boto" é frequentemente associada aos mamíferos aquáticos dos rios amazônicos, como o famoso boto-cor-de-rosa. Já o termo "golfinho" costuma ser utilizado para as espécies encontradas em mar aberto.
No caso de Cananéia, o boto-cinza reúne um pouco dos dois mundos. Apesar do nome popular "boto", ele é cientificamente classificado como um golfinho costeiro e vive principalmente em estuários, baías e regiões protegidas próximas ao litoral.
Um dos símbolos de Cananéia
O boto-cinza tornou-se um verdadeiro símbolo da cidade. A população residente na região é uma das mais estudadas do Brasil e desempenha papel fundamental para pesquisas científicas e ações de conservação desenvolvidas há décadas no município. Estima-se que aproximadamente 400 indivíduos habitem a região do Lagamar.
Por sua importância ecológica e turística, a espécie foi reconhecida como patrimônio natural e símbolo oficial de Cananéia.
O Lagamar: um dos melhores locais do Brasil para observar botos-cinza
Poucos lugares no Brasil oferecem condições tão favoráveis para a observação do boto-cinza quanto Cananéia.
O Lagamar, complexo estuarino que se estende entre o sul de São Paulo e o litoral do Paraná, forma um ambiente extremamente rico em nutrientes. Seus manguezais, canais, rios e áreas costeiras funcionam como verdadeiros berçários naturais para peixes, crustáceos e diversas espécies marinhas.
Essa abundância de alimento faz com que os botos permaneçam na região durante todo o ano, aumentando significativamente as chances de avistamento durante os passeios náuticos.
Diferentemente de outras regiões do país, onde os encontros com golfinhos dependem de longos deslocamentos em alto-mar, em Cananéia os visitantes frequentemente observam os animais próximos às embarcações, em seu habitat natural.
Como vivem os botos-cinza?
Os botos-cinza são animais extremamente sociáveis e costumam viver em grupos familiares. Possuem comunicação baseada em assobios e sons de alta frequência, além de utilizarem a ecolocalização — uma espécie de sonar natural — para encontrar alimento e se orientar nas águas mais turvas dos estuários.
Podem atingir cerca de dois metros de comprimento, viver aproximadamente 30 anos e se alimentar principalmente de peixes, lulas, camarões e outros pequenos organismos marinhos.
Uma curiosidade interessante é que cada boto possui marcas únicas em sua nadadeira dorsal, permitindo que pesquisadores identifiquem indivíduos específicos ao longo dos anos, como se fossem impressões digitais.
Um encontro inesquecível com a natureza
Observar um grupo de botos-cinza surgindo na superfície das águas calmas do Lagamar é uma das experiências mais marcantes para quem visita Cananéia.
Além da beleza do espetáculo natural, esse encontro permite compreender a importância da conservação dos manguezais, dos estuários e da Mata Atlântica que cercam a região. Afinal, a sobrevivência desses animais depende diretamente da preservação desse ecossistema único.
Por isso, durante os passeios turísticos, é fundamental respeitar as orientações dos monitores ambientais e operadores locais, garantindo que a observação aconteça de forma responsável e sem interferir no comportamento natural dos animais.
Visitar Cananéia é muito mais do que conhecer praias e paisagens deslumbrantes. É ter a oportunidade rara de observar uma das espécies marinhas mais carismáticas do litoral brasileiro em um dos ecossistemas mais preservados do país. E, para muitos visitantes, o encontro com os botos-cinza acaba se tornando a lembrança mais especial da viagem.




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